O visitante pareceu impressionado.
- Parece que este lugar é um baú do tesouro cheio de artefatos inestimáveis. Eu teria imaginado seguranças por toda parte.
- Não há necessidade - disse Trish, gesticulando na direção das lentes grande-angulares que se enfileiravam ao longo do teto muito alto. - A segurança aqui é toda automatizada. Cada centímetro deste corredor é filmado 24 horas por dia, 7 dias por semana, e ele é a espinha dorsal do complexo. É impossível entrar em qualquer sala deste corredor sem um cartão de acesso e uma senha.
- Que modo eficiente de usar as câmeras.
- Felizmente nunca tivemos nenhum roubo. Mas, pensando bem, este não é o tipo de museu que alguém iria roubar... Não há muita demanda no mercado negro por flores extintas, caiaques inuítes ou carcaças de lulas gigantes.
O Dr. Abaddon deu uma risadinha.
- Acho que tem razão.
- A maior ameaça à nossa segurança são os roedores e os insetos. - Trish explicou como o CAMS evitava pragas de insetos congelando todo o lixo produzido ali e também graças a um recurso arquitetônico chamado "zona morta": um compartimento inóspito entre paredes duplas que cercava o complexo todo feito um escudo.
– Incrível - comentou Abaddon. - Mas onde fica o laboratório de Katherine e Peter?
- No Galpão 5 - respondeu ela. - Bem no final deste corredor.
Abaddon parou de repente, girando o corpo para a direita em direção a uma pequena janela.
- Nossa! Olhe só para isso!
Trish riu.
- É, aqui é o Galpão Três. É conhecido como Galpão Molhado.
- Molhado? - repetiu Abaddon, com o rosto colado no vidro.
- Aí dentro tem mais de 11 mil litros de etanol líquido. O senhor se lembra da carcaça de lula gigante de que falei?
- Aquilo ali é a lula?! - O Dr. Abaddon virou para Trish com os olhos arregalados. - É imensa!
- Uma Architeuthis fêmea - disse Trish. - Tem mais de 12 metros.
Aparentemente fascinado pela visão da lula, o Dr. Abaddon parecia incapaz de desgrudar os olhos do vidro. Por alguns instantes, aquele homem-feito fez Trish pensar em um menininho diante da vitrine de uma loja de animais, desejando poder entrar para ver um filhote de cachorro. Cinco segundos depois, ele continuava olhando pela janela, enlevado.
- Está bem, está bem - disse Trish por fim, rindo enquanto inseria seu cartão de acesso e digitava a senha. – Venha. Vou lhe mostrar a lula.
Ao entrar no mundo fracamente iluminado do Galpão 3, Mal'akh vasculhou as paredes em busca de câmeras de segurança. A assistente baixinha e gorducha de Katherine começou a discorrer sobre os espécimes guardados ali. Mal'akh parou de prestar atenção no que ela dizia. Não tinha o menor interesse em lulas gigantes. Queria apenas usar aquele espaço escuro e isolado para solucionar um problema imprevisto.