Pensou sair de Portugal no 25 de Abril?
De maneira nenhuma. Estava a pensar com algum interesse em sair de Portugal antes, não por razões políticas mas por razões profissionais. O Banco de Portugal vivia na paz do senhor. Tínhamos balança de pagamentos — o banco acumulava reservas sem saber porquê — e discutir política monetária ou taxas de câmbio, nem pensar nisso. Aquilo era realmente uma pasmaceira como trabalho. Eu andava a ver se arranjava qualquer coisa, e tinha pensado na OCDE ou numa entidade dessas. Depois do 25 de Abril, os problemas caíram-nos todos em cima e passámos a viver tempos interessantes que nunca mais acabaram.